1a. Leitura (Sb 6, 12-16) A sabedoria é o saber viver com fidelidade à lei de Deus. Aqui ela é apresentada como uma pessoa ou coisa que deve ser procurada sempre, mas não é difícil de encontrar.
Salmo (63 [62],2-8) No Salmo celebramos a nossa contínua procura de Deus.
2a. Leitura (1Ts 4,13-18) Os pobres de Tessalônica tinham esperado seu herói assassinado que voltaria para fazer justiça. Jesus, o ressuscitado que virá, reacendeu essa esperança de tal forma que eles pensavam que os mortos já não veriam a volta de Jesus. Paulo vai esclarecer.
3a. L. Evangelho (Mt 25,1-13) A comparação das dez moças fala da decisão final de nossa vida. Lembra, do mesmo Evangelho: “Vós sois a luz do mundo!” e “Naquele dia muitos vão dizer-me: ‘Senhor, Senhor!’. E eu responderei: Não sei de onde sois, praticantes da injustiça!”.
HOMILIA
A Realidade ou a Palavra de Deus na vida
O todo poderoso Mercado Capitalista parece apoiar uma cultura da irresponsabilidade, ninguém tem de prestar contas a ninguém a não ser ao próprio bolso. Quanto menos limites e limitações há, mais se consome, mais se gasta, e isso faz girar a economia, que faz aumentar a riqueza, o objetivo final. As consequências estão à vista de todos, desde a indisciplina nas escolas, até as drogas e a violência crescente.
O pensamento de missão recebida de Deus, de consciência individual e de ter que prestar contas da própria missão parece coisa ultrapassada, do tempo dos dinossauros.
A Palavra de Deus na Escritura
O Evangelho segundo Mateus reúne palavras de Jesus que falam do fim, do fim de Jerusalém, do fim de cada um e do julgamento final da humanidade. O trecho de hoje faz de um costume das celebrações de casamentos da época uma parábola da prestação de contas das tarefas que cabem a cada um.
Das dez meninas que deveriam estar com seus lampiões de azeite prontos para o cortejo do noivo em sua chegada noturna, só cinco eram sábias (1ª Leitura), tinham tudo em ordem. As outras cinco só na última hora vão à procura do azeite e, quando chegam, a porta está fechada e o noivo as ignora.
Não precisa dizer que o noivo é Jesus, nem o que significa a hora imprevista em que ele chega. As meninas dos lampiões de azeite que deveriam iluminar a noite, mas descuidaram de se abastecer, sabemos quem simbolizam.
O Batismo foi sempre chamado de “iluminação”. E, do princípio até hoje, uma vela acesa no círio pascal simboliza a luz de Cristo que aí recebemos para clarear as trevas da humanidade.
O costume de se colocar uma vela acesa na mão do moribundo lembra o Evangelho de hoje, pede que a luz recebida no Batismo não esteja apagada no momento da chegada do “noivo”.
O Mistério
A Eucaristia é o julgamento final da humanidade dominada pelo individualismo, pelo egoísmo, pela busca de conforto, poder e prestígio. Significa a entrega de si mesmo à mais humilhante das mortes, em benefício do outro.
A Ceia comum condena todas as desigualdades existentes neste mundo de trevas. É preciso apenas cuidar que não aconteça como em Corinto, onde, reproduzindo na Ceia as mesmas desigualdades deste mundo, estavam comendo a própria condenação.
POR PADRE JOSÉ LUIZ GONZAGA DO PRADO