No dia 4 de outubro, a Igreja celebra São Francisco de Assis. E, em 2026, essa celebração ganha um significado especial: estamos vivendo os 800 anos de sua morte.
São oito séculos desde que aquele jovem de Assis deixou este mundo. E talvez a pergunta mais interessante para nós hoje seja justamente esta: O que há de atual em um santo que viveu no século XIII?
O planeta enfrenta tensões geopolíticas, guerras e instabilidade econômica constante. Mudanças climáticas e o avanço acelerado da inteligência artificial geram novas inseguranças coletivas. E não podemos esquecer do excesso de estímulos que intensifica a ansiedade crônica na sociedade.
Os tempos mudaram, mas o coração humano continua fazendo as mesmas perguntas e desejando a mesma paz interior não encontrada 800 anos atrás.
Na carta do Papa Leão XIV aos Ministros Gerais da Família Franciscana, publicada em janeiro de 2026, Leão apresenta São Francisco como alguém que continua falando ao mundo atual, sobretudo por meio da paz. Em um trecho retirado de sua carta, o papa diz que o testemunho do santo de Assis aponta para uma paz que começa na reconciliação com Deus, alcança as relações humanas e se estende à criação.
Francisco contra a lógica do excesso
Na Laudato si’, de 2015, o Papa Francisco dedica os números 10 a 12 especificamente a São Francisco. E ele não o apresenta simplesmente como “santo protetor da natureza”, aquele modelo que popularmente conhecemos, associado à uma pomba ou a um animalzinho, mas como modelo de uma “ecologia integral”. Mas o que isso quer dizer? O Papa destaca como característica desse modelo, a união entre cuidado da criação, atenção aos pobres, paz, simplicidade, fraternidade e vida espiritual.
Trazendo para os dias agitados de hoje, podemos entender que a pobreza e a austeridade franciscanas não eram simplesmente privação exterior, eram uma maneira de não transformar tudo em objeto de uso e domínio. O objetivo de São Francisco era abandonar os excessos e sentir essa paz tão almejada por tantos por meio do seu relacionamento “com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo”.
Paz através do amor ao próximo
Em uma sociedade marcada por polarizações, intolerância e dificuldade de convivência, o testemunho de São Francisco propõe um amor capaz de ultrapassar barreiras geográficas, sociais e humanas.
Papa Francisco na encíclica Fratelli tutti , descreve o santo de Assis como “Santo do amor fraterno, da simplicidade e da alegria” que vem, nos dias de hoje, nos ensinar como amar o próximo, como servir e ser útil são caminhos diretos para o alcance da paz.
Mais recentemente, na carta apostólica Candor lucis aeternae, o papa resume o santo de Assis como um homem aberto ao valor das criaturas e espelho do Criador. Por isso São Francisco continua atraindo as pessoas. Ele teve “a coragem de abandonar caminhos já percorridos e abrir um caminho mais coerente com Jesus”, resumiu o papa.
Francisco como resposta à solidão contemporânea
Em uma época em que estamos permanentemente conectados, mas frequentemente sozinhos, o que significa chamar o outro de irmão? Significa reconhecer no outro uma dignidade que não depende de sua condição social ou daquilo que ele pode oferecer em troca.
A pobreza que São Francisco escolheu significou também abandonar a lógica da autossuficiência para aprender a receber, partilhar e depender dos irmãos.



