A traição que começa no coração

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“Naquele tempo, um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse: ‘Que me dareis se vos entregar Jesus?’ Combinaram, então, trinta moedas de prata. E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus”. (Mt 26,14-16).

A traição não começa no ato, começa no coração. Judas andava com Jesus, mas já estava distante do Mestre há muito tempo. No exterior, ele exercia tudo o que os outros discípulos faziam. Aos poucos, foi crescendo nele o desejo de abandonar tudo o que havia ouvido do Senhor!

Judas serve como um exemplo vívido do terrível poder que o pecado tem de nos afastar de Deus!

Todos nós nascemos com a natureza da inclinação para o mal. Muitas vezes escondemos, internamente, desejos e pecados que não mostramos para ninguém. Quando perdemos o rumo e nos distanciamos dos comportamentos e práticas que vêm da luz, corremos o risco de fazer o que antes estava escondido.

Há muitos revestimentos que encobrem a nossa personalidade e fortalecem a revelação do nosso cárter. É por isso que Paulo nos exorta a nos revestirmos de Cristo e termos os mesmos sentimentos e comportamentos que Jesus teve enquanto estava aqui.

É possível, por exemplo, participar da missa e ainda assim não estar com Cristo. É possível frequentar a igreja todos os dias e ainda sim ter um coração totalmente distante de Deus. É possível ser religioso e não ser verdadeiramente cristão!

São João da Cruz nos ensina que uma pessoa, quando persevera nas práticas de uma vida de renúncia e espiritualidade, passa a ter grande domínio de suas más inclinações.

A vida cristã é uma luta ininterrupta que só termina com a morte.

 

Talitha Borges