A língua é um conjunto de sons e vocábulos compartilhados por uma comunidade. Já a linguagem, é a capacidade peculiar dos seres humanos de comunicar pensamentos, exprimir sentimentos e, em geral, informar sobre a realidade interna ou externa. A linguagem, em particular, é o pré-requisito da língua.
A linguagem também é um elemento muito relevante para a missão da Igreja. O desejo de uma linguagem mais clara, pastoral e compreensível para o mundo moderno é um dos pilares fundamentais deste tempo.
Quantas vezes encontramos amigos ou até enfermos, idosos ou moradores de rua que precisam muito mais que alguma ajuda física ou material, precisam de um ouvido atento e alguém disponível. O Papa Leão XIV nos recorda que “a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”.
A linguagem, quando fere, pode semear ódio não apenas na vida real, mas também no mundo das redes sociais. Na mensagem para a Quaresma de 2026, o Papa nos pediu que pratiquemos um jejum especial: aquele que diz respeito ao mundo das palavras. Um jejum de palavras que ferem! Não se trata apenas de ritos ou privações, mas de uma verdadeira reeducação dos nossos sentidos para o amor.
Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando , por exemplo, a falar mal de quem está ausente e não se pode defender. Seria um bom começo… Em vez disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs.
Se for usada a linguagem da gentileza, muitas palavras de ódio, como escreve Leão XIV, “darão lugar a palavras de esperança e de paz”. Um coração cheio de amargura e uma boca cheia de insultos não deixam espaço para a Graça.
Um período quaresmal mais silencioso, um jejum onde as palavras ofensivas não encontrassem voz seria o ideal para fazer brotar palavras de perdão e afeto.
Mas para escutar é preciso calar-se.
Que saibamos fazer uma Quaresma voltada à escuta da Palavra de Deus para entendermos o nosso papel de cristãos comprometidos com a realidade em que vivemos.
Que possamos olhar para dentro de nós, com os olhos de quem busca a verdadeira conversão, escutar a nossa consciência e exercitar a linguagem do amor e do cuidado, que caminham totalmente contra a linguagem do egoísmo e do ódio.
Que a Virgem Maria, a mulher da escuta atenta, nos acompanhe nestes quarenta dias.
Uma santa e abençoada Quaresma a todos!
Talitha Borges

