Cresce número de cristãos perseguidos no mundo

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Desde 2007, a data de 21 de janeiro é marcada pelo Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. O objetivo de datas como esta é fazer crescer a consciência e o trabalho incansável frente aos desafios de combater todo tipo de violência contra a liberdade de expressar a própria fé. Mas caminhamos contrariamente a este objetivo, é o que parece…

Um levantamento da ONG Portas Abertas (uma organização cristã internacional fundada em 1955) divulgou que o número de cristãos expostos à perseguição e em risco de sofrer violência em todo o mundo aumentou em 8 milhões de pessoas em comparação com o ano passado, atingindo o recorde de 388 milhões — um aumento de mais de 370 casos em comparação ao ano anterior.

“Infelizmente, este é mais um ano recorde. Desses 388 milhões, 201 milhões são mulheres ou meninas; enquanto 110 milhões têm menos de 15 anos”, comenta Cristian Nani, diretor da Portas Abertas.

Segundo a 17ª edição do Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo da Fundação Pontifícia ACN – Ajuda à Igreja que Sofre (uma Fundação criada em 1947 para socorrer os cristãos que sofrem e são perseguidos em todo o mundo), em 2025, houve graves violações da liberdade religiosa em 62 países do mundo: 24 classificados como “perseguição” (a pior categoria) e 38 como “discriminação” (a segunda categoria mais grave), afetando, em conjunto, mais de 5,4 bilhões de pessoas. Hoje, este direito fundamental não só está sob pressão, como está desaparecendo progressivamente.

A Coreia do Norte continua sendo o país onde é mais perigoso ser cristão e a Síria passou de um nível “alto” para um nível “extremo”, segundo a Lista. O levantamento da ONG ainda detalha sobre o atual foco e preocupação com a África Subsaariana e os ataques na Nigéria.

Mas os incidentes anticristãos estão aumentando nos países ocidentais também. Ainda segundo o relatório da ACN, a Europa e a América do Norte testemunharam um aumento significativo de ataques contra locais e fiéis cristãos. Só em 2023, a França registrou aproximadamente 1.000 incidentes anticristãos, enquanto a Grécia reportou mais de 600 casos de vandalismo em igrejas. No Canadá, de acordo com uma notícia da CBC News, pelo menos 33 igrejas foram destruídas por incêndios entre maio de 2021 e dezembro de 2023, e 24 incidentes foram confirmados como incêndios criminosos. Aumentos semelhantes foram observados na Espanha, Itália, Estados Unidos e Croácia, incluindo profanações de locais de culto, agressões físicas a clérigos e interrupção de serviços religiosos, frequentemente motivados por hostilidade ideológica, ativismo militante ou extremismo antirreligioso.

O Papa Leão XIV (em um contexto de notícias recentes de 2025/2026) tem abordado a intolerância religiosa denunciando a perseguição aos cristãos em várias partes do mundo, criticando a discriminação sutil que sofrem na Europa e Américas e clamando por diálogo inter-religioso e ação concreta contra preconceitos, exigindo que as religiões promovam a paz e combatam o ódio e a ganância.

Lendo sobre estes dados alarmantes e cada dia mais preocupantes, também podemos nos lembrar das palavras do nosso querido Papa Francisco em 2022 quando disse: “A liberdade religiosa não se limita à liberdade de culto, mas faz valorizar os outros em suas diferenças e reconhecê-los como verdadeiros irmãos. Vamos escolher o caminho da fraternidade. Porque ou somos irmãos, ou todos perdemos.”

Em entrevista presente no Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo da ACN, Miriam*, uma cristã que sofre perseguição no Paquistão, ao contar sua triste história vivida em seu país, começou dizendo: “A falta de liberdade religiosa é um problema enorme que prejudica profundamente muitas famílias e sociedades. A liberdade religiosa é essencial para a identidade de uma pessoa, de uma família, de uma comunidade. Se a liberdade religiosa for pisoteada, é uma negação dos direitos humanos”.

 

Que Deus possa amparar e proteger todos aqueles que se refugiam e são perseguidos por causa Dele e os dê força e coragem!

 

Por Talitha Borges

 

* O nome foi alterado por razões de segurança