Crise no Oriente Médio

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O forte ataque dos Estados Unidos contra o Irã, em conjunto com Israel, desde o último sábado (28) está sendo chamado pelo Pentágono de “Operação Fúria Épica”. Israel chamou a ação de “Rugido do Leão”.

O objetivo declarado por Donald Trump e Benjamin Netanyahu é a destruição do programa nuclear e a mudança do regime em Teerã.

O ponto central da ofensiva foi o bombardeio à capital do Irã que resultou na morte confirmada do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, além de dezenas de altos funcionários do governo. Em retaliação imediata, o Irã disparou centenas de mísseis contra Tel Aviv e Haifa, além de atingir bases militares americanas no Catar, Emirados Árabes e Bahrein.

Até segunda-feira (2), o balanço parcial indica mais de 550 mortos no Irã e baixas militares e civis em Israel. Já o governo israelense convoca 100 mil reservistas para intensificar a campanha e os mercados globais já operam em alerta pela disparada no preço do petróleo.

O primeiro-ministro israelense publicou um vídeo nas redes sociais apelando aos cidadãos de Israel para que tenham “resiliência e força” e incentivou o povo iraniano a levantar-se contra o regime.

“Este regime terrorista, assassino, não deve se armar com armas nucleares que lhe permitam ameaçar toda a humanidade. Nossa ação conjunta criará as condições para que o corajoso povo iraniano tome as rédeas do seu destino. Chegou a hora de todos os grupos étnicos do Irã – persas, curdos, azeris, balúchis e ahwazis – se libertarem do jugo da tirania e construírem um Irã livre e pacífico. Apelo a vocês, cidadãos de Israel, para que ouçam as instruções do Comando da Defesa Civil. Nos próximos dias, na Operação “O Rugido do Leão”, todos nós precisaremos de paciência e perseverança. Juntos permaneceremos firmes, juntos lutaremos e juntos garantiremos a eternidade de Israel”.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao povo iraniano que esteja pronto para assumir o Governo assim que a operação militar termine e sugeriu aos membros das forças de segurança iranianas que deponham as armas em troca de “imunidade total”.

Ainda no dia 28, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Antônio Guterres, condenou a escalada militar e pediu a redução das tensões. “Eu encorajo fortemente todos a retornarem à mesa de negociações imediatamente”, disse.

Diversos países, entre eles França, Rússia, Espanha, China e Brasil, condenaram os ataques. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse ver este momento com “expressa grave preocupação”!

 

Papa Leão XIV e o apelo ao diálogo

Logo após rezar a oração mariana do Angelus no primeiro domingo de março, o pontífice fez um sensível e profundo apelo, pedindo que a diplomacia recupere o seu papel:

“Acompanho com profunda preocupação o que está acontecendo no Oriente Médio e no Irã nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem por meio de ameaças recíprocas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas somente por meio de um diálogo razoável, autêntico e responsável. Diante da possibilidade de uma tragédia de proporções enormes, dirijo um veemente apelo às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de deter a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável! Que a diplomacia recupere seu papel e promova o bem dos povos, que anseiam por uma coexistência pacífica, fundada na justiça. E continuemos a rezar pela paz”.