Dedicada, focada na fé, profundamente piedosa, que levava uma vida simples e tinha sorriso acolhedor. Assim foi descrita a freira Nadia Gavanski, pela colega de congregação, Deonisia Diadio.
A freira de 82 anos foi encontrada morta no convento Irmãs Servas de Maria Imaculada, em Ivaí, nos Campos Gerais do Paraná, depois que um homem invadiu o convento. De acordo com a polícia, a vítima flagrou o suspeito durante a invasão e foi atacada.
Em depoimento à PCPR (Polícia Civil do Paraná), ele relatou que teria feito uso de crack e bebidas alcóolicas durante a madrugada e, após isso, começou a ouvir vozes que diziam para que ele matasse alguém. O homem afirmou que, depois disso, pulou o muro do convento.
Todo o caso veio à tona graças à uma fotógrafa que estava trabalhando no local e desconfiou da atitude do suspeito.
O homem foi atuado por homicídio qualificado.
Deonisia afirmou que espera que a morte da colega sirva de alerta para a proteção das mulheres. “Ela não merecia tamanha violência. Contudo, na fé, acreditamos que sua vida se tornou um sinal: uma entrega silenciosa que fala por tantas mulheres que sofrem agressão. Que seu testemunho nos desperte para a defesa da vida, da dignidade e do amor”, disse ela.
A vida de Irmã Nadia Gavanski
A freira Nadia Gavanski ingressou na congregação em 1971, quando tinha 27 anos. Ela se dedicou à vida religiosa por 55 anos.
Em depoimento, a colega de congregação da freira disse:
“Irmã Nadia entrou para a vida religiosa já com mais idade e, por isso, enfrentava dificuldades para acompanhar e compreender alguns conteúdos da formação. No entanto, sua perseverança comovia profundamente. Com humildade e confiança, dizia com simplicidade: ‘Por favor, mestra, não me mande embora, que eu ainda vou aprender. Nossa Senhora vai me ajudar’. Essa frase revela bem sua alma: humilde, confiante e profundamente mariana”.
Diadio ainda contou que irmã Nadia sofreu um AVC, que afetou sua fala, passando, depois disso, a falar pouco e com um tom de voz baixo. No entanto, por meio do olhar e das atitudes, continuava acolhendo as colegas.
“Um coração que não precisava de muitas palavras. Seu jeito sereno tocava quem se aproximava, através de gestos simples e de um sorriso acolhedor. Cuidava com amor das plantinhas, da horta e das pequenas coisas do dia a dia, revelando um coração atento e fiel”, detalhou.
Ainda falando sobre seu jeito sereno, de gestos simples e sorriso acolhedor, Diadio completou:
“Ela cuidava com amor das plantinhas, da horta e das pequenas coisas do dia a dia, revelando um coração atento e fiel. No caminho que percorria todos os dias, a violência de um homem covarde interrompeu sua presença entre nós. Hoje choramos seu silêncio, mas cremos que Deus acolhe na eternidade esta religiosa que viveu com bondade e entrega. O céu recebe uma alma que soube amar no silêncio”.
Fontes: Portal G1, CNN e Metrópoles

