Na última segunda-feira (25), o papa Leão XIV fez um pedido histórico de perdão pelo papel da Igreja na legitimação da escravidão e por ter demorado tanto tempo para condená-la. Ele classificou o passado do Vaticano, no documento “Magnifica Humanitas” (“Humanidade Magnífica”), como uma “ferida na memória cristã”.
Papados anteriores já haviam pedido desculpas pelo envolvimento de cristãos no tráfico transatlântico de escravizados, mas nenhum papa havia reconhecido publicamente, nem pedido perdão.
“É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e humilhação suportados por tantos, em contraste com sua dignidade incomensurável como pessoas infinitamente amadas pelo Senhor”, escreveu o papa. “Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.”
Na encíclica, Leão XIV lembrou que seu antecessor de nome, o papa Leão XIII, foi o primeiro a condenar explicitamente a escravidão, em 1888 — quando vários países já haviam abolido a prática.
“Já no início da era moderna, a Sé Apostólica de Roma, respondendo a pedidos de soberanos, interveio diversas vezes para regular e legitimar formas de subjugação e, em certos casos, inclusive a escravização de ‘infiéis’.”
O papa afirmou que não é possível julgar decisões do passado apenas pelos padrões atuais, mas disse que isso não diminui a demora da sociedade e da Igreja em denunciar a escravidão.
“Isso constitui uma ferida na memória cristã, da qual não podemos nos considerar desvinculados”, escreveu.
Leão XIV também afirmou que a Igreja precisa condenar com firmeza todas as formas de exploração ligadas à revolução tecnológica digital “se quisermos evitar a necessidade de pedir perdão novamente no futuro”.
O documento escrito pelo papa também aborda os desafios éticos da inteligência artificial e alerta para novas formas de exploração econômica. Segundo o Vaticano, a declaração representa a admissão mais explícita já feita por um pontífice sobre a responsabilidade institucional da Igreja na escravidão.



