Os textos deste domingo:

1a. Leitura (Is 61,1-2a.10-11) Evangelizar ou levar a boa notícia aos pobres é falar do jubileu, o ano do agrado do Senhor, ano de redividir as terras, de perdoar as dívidas, de libertar os escravos. Essa é a alegria da boa notícia que é Jesus.

Salmo (Lc 1,46-50.53-54) Com o cântico de Maria, celebramos a boa notícia que Jesus traz para os pobres.

2a. Leitura (1Ts 5,16-24) Aqui temos os conselhos finais de Paulo na sua carta à comunidade cristã de Tessalônica. Apesar das dificuldades vividas por aquele grupo de trabalhadores braçais, as suas palavras são de coragem e ânimo.

3a. L. Evangelho (Jo 1,6-8.19-28) O Evangelho ainda fala de João Batista. Pensavam que seria ele o Messias esperado. Ele não aceita ser nenhum daqueles que eles esperavam. É apenas uma voz.

 

HOMILIA

A Realidade ou a Palavra de Deus na vida

Uma tentação que atinge todo agente de pastoral, toda pessoa que tem alguma atuação ou função na Igreja, é a de o agente se colocar no lugar de Cristo. Achar que somos nós o caminho da salvação, que ninguém e nada deixe de passar por nós, que nós, somente nós, temos de aparecer, brilhar e fazer sucesso. É preciso cuidado para que a própria imagem não acabe ofuscando a de Cristo ou tomando o seu lugar, até fisicamente, numa sala, numa casa ou até numa igreja.

A Palavra de Deus na Escritura

João Batista marcou tanto, que, sessenta anos após sua morte, ainda havia quem pensasse que o Messias enviado por Deus seria ele e não Jesus. Mas, segundo o Evangelho de João, ele não assumiu o papel que lhe atribuíam, não caiu na tentação, disse com toda a clareza não ser ele o Messias.

Segundo antigo costume que aparece no capítulo 25 do Deuteronômio e no livro de Rute, o cunhado da viúva sem filhos deve se casar com ela. Se ele se recusar, precisa tirar as sandálias (Dt 25,9 e Rt 4,8-9), para que outro ocupe o seu lugar, venha a pisar onde ele pisava. João nunca quis ocupar o lugar de Jesus, não achou que poderia ser ele o noivo ou esposo.

No capítulo 3 (vv. 28-29) deste Evangelho, João confirma o que diz aqui e completa: “Quem recebe a noiva é o noivo, mas o amigo do noivo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria quando escuta a voz do noivo. Essa é a minha alegria e ela ficou completa. É necessário que ele cresça e eu diminua.”.

A alegria do Natal é a da boa notícia para os pobres e sofredores deste mundo, como afirma a Primeira Leitura. O ano do agrado do Senhor é o do jubileu, quando os endividados eram perdoados, os escravizados eram libertos e as terras eram redivididas.

O Mistério

A cobiça do poder e do primeiro lugar estão na raiz de todos os males da humanidade. E essa cobiça está profundamente enraizada no ser humano. O Salvador deve vencer a cobiça.

Na Eucaristia celebramos o momento em que Ele se entrega à mais humilhante das mortes, para servir, para lavar os pés da humanidade. A partilha de si, significada no pão partido e no vinho por todos consumido, é o ponto de partida para um mundo salvo, para uma nova humanidade. E na mesa comum celebramos a chegada.

 

POR PADRE JOSÉ LUIZ GONZAGA DO PRADO

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