Viagem Apostólica à América Latina: primeiro discurso no Uruguai

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O primeiro discurso do Papa Leão XIV no Uruguai, primeiro país visitado pelo pontífice na Viagem Apostólica à América Latina, foi às autoridades, à sociedade civil e ao corpo diplomático. O evento foi realizado na Praça da Independência de Montevidéu na tarde desta sexta-feira (6).

“Desde já, quero fazer chegar a minha saudação a todos os uruguaios, onde quer que se encontrem”, disse Leão, colocando sob a proteção de Nossa Senhora dos Trinta e Três, Padroeira do país, todos aqueles que encontrará no seu caminho. O discurso foi inspirado no monumento a José Gervasio Artigas, situado no centro da praça.

O papa, então, ressaltou os 40 anos ininterruptos de democracia no país, celebrados em 2025, e algumas decisões que impactaram a nação, como o uso dos recursos naturais.

“Quem ainda não nasceu já pertence à família humana e ao futuro do seu povo. A sua dependência absoluta da mãe não diminui a dignidade que lhe é própria nem a proteção que merece. O próprio Jesus quis assumir esta condição ao encarnar-se. Acolher uma nova vida exige que o pai se comprometa ao lado da mãe, que a família preste o seu apoio e que existam condições sociais que permitam a ambos criar e cuidar dos seus filhos. A proteção de quem está para nascer e o amparo de quem o acolhe são indissociáveis. ”

O pontífice reiterou a importância do respeito à vida em todas as suas fases, recordando que não se pode medir o valor de uma pessoa pelo que ela produz, pelo seu trabalho ou pela sua habilidade de se valer por si própria. Valorizou o emprego, sobretudo face às rápidas mudanças da tecnologia e da inteligência artificial.

E citou como desafios a solidão, a angústia e a perda de esperança: “Perante a dolorosa realidade do suicídio, revelam-se inseparáveis os cuidados de saúde, os laços familiares e a proximidade da comunidade. Ninguém deveria sentir-se estranho entre os seus nem pensar que a sua ausência será menos notada que a sua presença”.

 

Da história do Uruguai

Em seu discurso, Leão realçou a convivência entre pessoas de diferentes origens e tradições, que se manifesta nas crenças e convicções dos seus cidadãos. Ele lembrou que o Estado é laico, mas recordou que a neutralidade não implica que a dimensão religiosa deva ficar confinada à esfera privada.

“Numa época em que as diferenças podem facilmente transformar-se em motivo de confronto, perseverar no respeito pelo direito, na negociação e na busca paciente de acordos constitui um serviço que o Uruguai pode continuar a oferecer aos seus vizinhos”.

Citando os laços que unem a Santa Sé e o Uruguai, o papa concluiu: “Vim ao Uruguai como Sucessor de Pedro e como pastor, com o desejo de me encontrar com a Igreja peregrina nesta terra e de me aproximar, com carinho, a todo o seu povo. Que estes dias nos permitam fortalecer o que nos une e renovar a confiança com que enfrentamos as dificuldades e nos preparamos para o que está para vir. Que Deus abençoe o Uruguai e que Maria Santíssima, a quem este povo se confiou no momento do seu nascimento, continue a acompanhá-lo ao longo da sua história. Muito obrigado.”

Acompanhe todos os detalhes da viagem do papa, incluindo a transmissão ao vivo dos discursos, pelos canais do Katholika. Youtube: https://www.youtube.com/@Katholika / Instagram: https://www.instagram.com/katholikatv/ 

 

Fonte da matéria: https://www.vaticannews.va/pt