No Angelus do último domingo do mês de fevereiro, tempo de Quaresma, o papa Leão XIV convidou os fiéis a redescobrirem o valor do silêncio e da escuta interior, propondo um jejum de ruídos e distrações digitais: “Silenciemos um pouco as televisões, os rádios, os smartphones”.
O convite do Pontífice toca uma dimensão cada vez mais desafiadora na vida contemporânea: o silêncio. A vida humana tem ficado cada vez mais tomada pelo “fast” e pela correria. São muito sons, muitas vozes, muito barulho à nossa volta. Permanecer em silêncio tornou-se incomum.
A Quaresma é um tempo propício para refletirmos como anda a nossa vida… Neste contexto, ela surge como um tempo privilegiado para redescobrir o valor do silêncio e da escuta. Ela pode ser vivida como um grande retiro, um tempo de conversão e de intimidade com Deus no silêncio.
Silenciar a natureza humana é fruto de trabalho lento e paciente. Por muito tempo nos acostumamos com muito barulho externo e interno. E o mundo assim continuará!
Não precisamos silenciar apenas esse ruído que sempre virá de fora, mas também aquele que grita dentro de nós, que vem do nosso orgulho, do nosso amor-próprio ferido, do nosso desejo de vingança, por vezes revestido de aparente justiça. Da nossa ganância, da nossa preguiça, da nossa vontade de trocar o convívio com a família pelas horas fúteis no celular e também da nossa inveja do que o próximo conquista, que queremos para nós de maneira fácil, sem trabalhar para conquistar.
Remédio para não adoecer com o pecado é aprender a ficar em silêncio, sentar-se, meditar os acontecimentos do dia, em sintonia com a Palavra de Deus, e buscar a paz verdadeira e constante, mesmo vivendo o caos do mundo. Em meio ao caos, Deus se faz presente. E é possível viver o silêncio interior quando o coração está em paz!
Que possamos conseguir silenciar o barulho dentro de nós para ouvir a voz de Deus nesse tempo quaresmal.
Deus o abençoe.
Talitha Borges

