Na Sexta-Feira Santa a Igreja Católica não celebra a Eucaristia nem os demais sacramentos. É um dos dois dias da história, desde a Anunciação à Maria, que o mundo “experimentou a ausência de Cristo”. No Sábado de Aleluia, até o começo da noite, a Igreja ainda está de luto, vivendo a esperança da ressurreição que é celebrada exclusivamente a partir do Sábado à noite.
Jesus foi morto injustamente. O justo pagou o preço pelos injustos. O santo deu Sua própria vida pelos pecadores.
A morte de Cristo na cruz é um grande mistério, difícil de compreender. Jesus, embora sendo Deus, optou por não usar suas prerrogativas divinas e seu poder. Ao contrário, “despojou-se de si mesmo”, assumindo radicalmente, exceto o pecado, a frágil condição humana até a morte.
A cruz não foi um acidente, foi uma escolha, consciente e grandiosa!
A Sexta-feira da Paixão trata-se de um dia de jejum e luto. A liturgia é composta de três momentos: Liturgia da Palavra, Adoração da Cruz e Comunhão. Somos convidados a fixar nossos olhos em Jesus Crucificado que veio para nos purificar e nos dar vida eterna: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo”. (João 1,29)
Reviver o mistério da Paixão de Cristo significa também buscar significado para os acontecimentos dolorosos da nossa história pessoal. Se Jesus, mesmo sendo Deus, se fez homem, submeteu-se a sentir a dor da fome, do frio, do abandono, da humilhação, perseguição, difamação e crucificação, então, nós também somos capazes de enfrentar grandes batalhas, superar nossas dores e alcançar a vitória, se nos espelharmos em tudo que Ele viveu e como Ele venceu.
“Deus amou tanto o mundo que entregou o Seu Filho único, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,16-17).
Na cruz revela-se até onde Deus está disposto a ir por nós: um Deus solidário, que entra na nossa vida, que assume as nossas contradições, que sofre conosco e morre conosco para nos fazer ressuscitar com Ele
O amor ficou até o fim. Hoje não é dia de pressa. É dia de permanecer na cruz e aguardar a vitória!
Talitha Borges



